05/08/2026
RESUMO: O artigo analisa o sintoma escolar a partir da especificidade da escuta psicopedagógica, problematizando a tendência de converter dificuldades de aprendizagem em transtornos antes de investigar as condições relacionais, pedagógicas, familiares e institucionais que participam de sua produção. Trata-se de pesquisa qualitativa, bibliográfica e de caráter teórico-reflexivo, fundamentada em Sara Paín, Alicia Fernández, Jorge Visca, Nádia Bossa, Maria Lúcia Lemme Weiss, Beatriz Scoz e Edith Rubinstein, com apoio pontual de Sigmund Freud para a compreensão dos investimentos afetivos, das inibições e da transferência. Sustenta-se que transtornos específicos podem existir e exigem reconhecimento responsável, porém seu diagnóstico não pode resultar de inferências baseadas apenas no desempenho escolar. A noção de vínculo é apresentada como relação do aprendente com o conhecimento, com quem ensina, consigo mesmo como sujeito capaz de aprender e com a instituição que legitima determinados modos de saber. Conclui-se que a escuta além do sintoma não nega o déficit nem romantiza o sofrimento: ela amplia o campo diagnóstico, impede culpabilizações e orienta intervenções que restituam autoria, desejo e possibilidade de aprender.
Palavras-Chave: Psicopedagogia; Aprendizagem; Sintoma Escolar; Vínculo; Diagnóstico Psicopedagógico.
Artigo publicado para EBPF em 05 de agosto de 2026. Artigo aprovado pelo comitê científico pela EBPF no dia 03/08/2026. Texto escrito por Dr. Richard Munhoz