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O BRINCAR NA ERA DIGITAL: Como os Jogos Substituíram os Vínculos Afetivos

19/08/2026

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RESUMO: A ansiedade integra o repertório humano de antecipação do perigo e, em intensidade compatível com a situação, favorece vigilância, preparação e proteção. A mesma resposta, entretanto, pode tornar-se fonte de sofrimento quando se mantém sem ameaça atual, perde proporcionalidade, organiza a vida pela evitação e compromete o funcionamento. Este artigo objetiva distinguir essas duas condições por meio de revisão narrativa, qualitativa e interdisciplinar, articulando a metapsicologia freudiana, contribuições pós-freudianas e achados contemporâneos das neurociências. Sustenta-se que o limite entre proteção e adoecimento não pode ser definido apenas pela intensidade do afeto, mas pela relação entre sinal e perigo, pela flexibilidade da resposta, por sua duração, pelo custo corporal e pela restrição imposta à vida do sujeito. A segunda teoria freudiana da angústia permite compreendê-la como sinal produzido pelo eu diante de uma situação de perigo, enquanto a angústia automática remete ao desamparo e ao excesso de excitação não ligado. As neurociências convergem parcialmente com essa formulação ao diferenciar circuitos defensivos, experiência consciente e efeitos da ativação persistente dos sistemas de estresse. Dados recentes indicam que 359 milhões de pessoas viviam com transtornos de ansiedade em 2021 e que apenas cerca de uma em cada quatro recebia tratamento. Conclui-se que cuidar da ansiedade não significa suprimi-la, mas recuperar sua função de sinal, ampliar a capacidade de elaboração e impedir que a defesa se converta em prisão.

Palavras-Chave: Ansiedade; Angústia-Sinal; Desamparo; Psicanálise; Neurociências.

Artigo publicado para EBPF em 19 de agosto de 2026. Artigo aprovado pelo comitê científico pela EBPF no dia 11/08/2026. Texto escrito por Dr. Richard Munhoz

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