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O LUTO PELA INFÂNCIA E A RECONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE NA ADOLESCÊNCIA

24/09/2026

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RESUMO: Este artigo analisa como as transformações corporais, familiares e sociais próprias da adolescência mobilizam processos de luto e participam da reorganização da identidade. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e de revisão bibliográfica narrativa, fundamentada nas contribuições de Sigmund Freud, Anna Freud, Arminda Aberastury, Mauricio Knobel, Donald Winnicott e Erik Erikson, em interlocução com dados atuais da Organização Mundial da Saúde, do UNICEF e da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024. A partir da concepção freudiana do luto como trabalho psíquico diante da perda de pessoas, posições ou ideais investidos libidinalmente, examinam-se os lutos pelo corpo infantil, pela identidade e pelos papéis da infância, pelos pais idealizados e pela condição infantil de dependência. Discute-se que a reconstrução identitária não implica o apagamento da infância, mas sua integração em uma narrativa capaz de articular passado, experiência presente e projetos futuros. As oscilações afetivas, as defesas, a vinculação grupal e a contestação das referências parentais são compreendidas como tentativas de elaboração e diferenciação, sem que sejam automaticamente consideradas manifestações psicopatológicas. Os indicadores contemporâneos de sofrimento emocional e insatisfação corporal demonstram, entretanto, que essa travessia ocorre sob pressões sociais concretas e pode demandar cuidado clínico e interdisciplinar. Conclui-se que a reorganização da identidade depende tanto da elaboração das perdas simbólicas quanto da existência de ambientes familiares, escolares e sociais capazes de oferecer reconhecimento, limites, sustentação emocional e espaço para experimentação. O luto pela infância permite que o adolescente preserve sua história sem permanecer aprisionado à posição infantil, construindo formas progressivamente mais próprias de existir.

 Palavras-Chave: Adolescência; Luto; Identidade; Psicanálise; Desenvolvimento Emocional.

Artigo publicado para EBPF em 24 de setembro de 2026. Artigo aprovado pelo comitê científico pela EBPF no dia 09/09/2026. Texto escrito por Esp. Sarah Munhoz

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