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A CULPA DE SER PAI OU MÃE PERFEITO

15/10/2026

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RESUMO: Este artigo analisa como o ideal contemporâneo de perfeição parental participa da produção de culpa, autocensura e esgotamento em pais e mães. Trata-se de pesquisa qualitativa, teórico-bibliográfica e documental, fundamentada em contribuições de Freud e Winnicott, articuladas a estudos atuais sobre perfeccionismo, estresse e esgotamento parental. A partir da teoria freudiana, discute-se a atuação do supereu e do ideal do eu na transformação do erro parental em condenação da própria identidade. Diferencia-se a culpa elaborativa, capaz de promover reconhecimento e reparação, da culpa persecutória, que produz paralisia, compensação excessiva e sentimento de indignidade. Com Winnicott, recupera-se o conceito de cuidado suficientemente bom, segundo o qual o desenvolvimento infantil não exige uma adaptação perfeita e permanente, mas um ambiente confiável, capaz de responder às necessidades, introduzir frustrações graduais e reparar rupturas. Dados brasileiros e internacionais evidenciam a desigualdade na distribuição do cuidado, a elevada ocorrência de estresse entre responsáveis e a relação entre perfeccionismo, isolamento e esgotamento parental. Conclui-se que abandonar a fantasia de perfeição não significa renunciar à responsabilidade, mas substituí-la por uma ética do cuidado possível, sustentada pelo reconhecimento dos limites, pela reparação, pela divisão das responsabilidades e pela construção de redes de apoio.

 Palavras-Chave: Parentalidade; Culpa; Perfeccionismo parental; Superego; Esgotamento parental; Winnicott.

Artigo publicado para EBPF em 15 de outubro de 2026. Artigo aprovado pelo comitê científico pela EBPF no dia 28/09/2026. Texto escrito por Dra. Sarah Munhoz

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