28/10/2026
RESUMO: Este artigo investiga possíveis articulações entre experiências relacionais precoces, desamparo, vazio psíquico e dependência emocional na vida adulta. Parte-se da hipótese de que, em determinados casos, a dependência emocional pode funcionar como tentativa de evitar a experiência de desamparo e perda do objeto, reatualizando conflitos e modalidades de vínculo anteriores. Por meio de revisão narrativa e análise conceitual, articulam-se as contribuições de Freud, Ferenczi, Winnicott e Bowlby, com aproximações delimitadas a Klein, Kohut, Bion e Lacan. Examinam-se a angústia diante da perda, a repetição, os efeitos do desmentido, a sustentação ambiental, a capacidade de estar só e os modelos internos de apego, preservando as diferenças entre esses referenciais. Pesquisas contemporâneas sobre adversidades infantis e apego adulto e dados brasileiros e internacionais de solidão contextualizam a discussão, sem estabelecer equivalência entre esses fenômenos ou comprovar causalidade. Sustenta-se que a presença do outro pode assumir funções de regulação afetiva, reconhecimento e sustentação da continuidade pessoal. Conclui-se que a escuta psicanalítica deve investigar singularmente essas funções e favorecer vínculos mais flexíveis, nos quais a necessidade de cuidado possa coexistir com autonomia, reconhecimento dos próprios limites e elaboração das separações.
Palavras-Chave: Desamparo; Dependência emocional; Experiências relacionais precoces; Vazio psíquico; Relações objetais; Apego.
Artigo publicado para EBPF em 28 de outubro de 2026. Artigo aprovado pelo comitê científico pela EBPF no dia 15/10/2026. Texto escrito por Dra. Andreia Daluia