21/01/2026
RESUMO: Este artigo analisa o processo de constituição da técnica psicanalítica em Sigmund Freud a partir da transição da hipnose para a associação livre, compreendendo esse movimento como uma ruptura epistemológica decisiva na história da clínica do sofrimento psíquico. A problemática central que orienta a investigação consiste em demonstrar que a substituição da sugestão hipnótica pelo método da associação livre não representa uma simples modificação procedimental, mas a fundação de um novo paradigma clínico, científico e ético, no qual o inconsciente passa a ocupar o lugar central na produção do saber terapêutico. A partir de uma revisão teórico-metapsicológica da obra freudiana, o artigo discute os limites estruturais da hipnose, a elevação da resistência à condição de operador clínico, a formulação da associação livre como regra fundamental, a atenção flutuante como correlato técnico da escuta analítica e a centralidade da transferência como eixo organizador do tratamento. Analisa-se, ainda, a recusa freudiana da manualização técnica e a inseparabilidade entre método e ética na prática psicanalítica. Conclui-se que a técnica freudiana não se organiza em torno da eliminação direta do sintoma, mas da elaboração simbólica do conflito inconsciente, sustentando a singularidade do sujeito e o tempo próprio do trabalho analítico. O estudo reafirma a atualidade do método freudiano frente às demandas contemporâneas de padronização terapêutica, medicalização do sofrimento e aceleração dos processos clínicos, destacando a psicanálise como prática científica, ética e crítica da subjetividade moderna.
Palavras-Chave: Psicanálise freudiana; Técnica psicanalítica; Associação livre; Transferência; Resistência; Inconsciente; Ética clínica.
Artigo publicado para EBPF em 21 de Janeiro de 2026. Artigo aprovado pelo comitê científico pela EBPF no dia 16/01/2026. Texto escrito por Esp. Andreia Daluia