04/02/2026
RESUMO: A maternidade contemporânea encontra-se atravessada por intensas exigências simbólicas, sociais e emocionais, que frequentemente produzem formas silenciosas de sofrimento psíquico nas mulheres. Este artigo tem como objetivo analisar de que modo a internalização da culpa materna se articula a processos de autoaniquilamento subjetivo, caracterizados pela negação do desejo próprio, empobrecimento do Eu e fragilização da identidade feminina no exercício da maternidade. Fundamentado na teoria psicanalítica clássica e contemporânea, em diálogo com a psicologia social e a neurociência afetiva, o estudo adota abordagem qualitativa de natureza exploratório-explicativa, baseada em análise teórico-clínica e revisão crítica da literatura. Os resultados indicam que a intensificação das exigências superegóicas, associada à idealização normativa da maternidade, favorece padrões de autossacrifício psíquico, hiperinvestimento no outro e repressão da ambivalência materna. Observa-se ainda que tais dinâmicas impactam a regulação emocional, os vínculos afetivos e a saúde mental feminina, com repercussões diretas na qualidade das relações mãe-filho. Conclui-se que a problematização da culpa materna constitui uma demanda clínica, social e ética urgente, exigindo intervenções que promovam a preservação da subjetividade feminina e o reconhecimento da maternidade como experiência humana complexa e não idealizada.
Palavras-Chave: Culpa Materna; Autoaniquilamento Subjetivo; Maternidade; Psicanálise; Identidade Feminina; Sofrimento Psíquico.
Artigo publicado para EBPF em 04de Fevereiro de 2026. Artigo aprovado pelo comitê científico pela EBPF no dia 30/01/2026. Texto escrito por Dr. Richard Munhoz